04/01/13
18/11/10
A Arte...
Byafra
Apresentação do final de ano
16/11/10
11/10/10
Oktoberfest em Munique - a festa da alegria
A FESTA DA ALEGRIA
Chris Herrmann
CORRESPONDENTE INTERNACIONAL
Brasileira, escritora e tradutora.
Além da gastronomia e atrações diversas que movimentam a montagem de um sem-número de barracas e brinquedos, como carrosséis e rodas-gigantes. A vestimenta é parte importantíssima para os preparativos da festa. Para festejar como um ´bávaro´ é preciso cuidar do visual típico. Os homens vestem a Lederhose (calça curta de couro) e as mulheres o Dirndl (vestido folclórico com um decote acentuado).
Mas como e quando começou tudo isto? E por que tem início em meados de setembro? A resposta está na história da Baviera. Tudo começou no dia 12 de outubro de 1810, durante as comemorações do casamento do Príncipe Herdeiro Ludwig (mais tarde, Rei Ludwig I da Baviera) com a Princesa Therese da Saxônia- Hildburghausen. Com a idéia de estimular a participação da população nos festejos, foram organizadas muitas atrações durante vários dias seguidos. E repetiu-se a festa no ano seguinte e no outro... pronto, nascera ali a Oktoberfest que começa no mês de setembro (que tem um clima mais ameno) e que tem sua última semana em outubro e que hoje fascina multidões!
12/09/10
08/08/10
Grupo "Go-Brazil" - Munique - 21.Julho.2010
Apresentação do grupo de batuque brasileiro "Go-Brazil" (www.go-brazil.de) na festa da polícia - Munique - 21.Julho.2010
Lothar Kuhn e eu fizemos pequenos filmes e depois a edição final. Quem nos convidou para a festa foi uma integrante do grupo, nossa amiga Susie.

Susie e Lothar
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14/06/10
13/06/10
Está na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor
Hoje em dia, ainda somos mais independentes. Com a falência das gravadoras em virtude da pirataria, temos que procurar formas de colocar o nosso trabalho na rua e arrumar parceiros que acreditem em nosso trabalho e joguem conosco. Ainda bem que não arrumaram formas de clonar o artista, que hoje em dia vive sobretudo do show que faz.
Gostaríamos que a mídia, de uma forma geral, se unisse a nossa cruzada. Precisamos de mais programas musicais na TV, ao vivo. Hoje, com as técnicas modernas de gravação, muitos estão se arriscando a cantar e o panorama musical está ficando meio sem critério. Confunde-se qualidade com sucesso e nós sabemos que a coisa não é bem por aí. Precisamos de sucessos consistentes que fiquem na História e construam um acervo nacional com músicas populares e de qualidade em todos os estilos. A luta não é mais das gravadoras. A luta é nossa. Precisamos cobrar dos meios governamentais projetos de shows em toda parte; nas praças, na rua, no teatro, na televisão, nas rádios... Só assim essa gente bronzeada vai mostrar que não é só no futebol que temos craques.
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Conversa de Shopping
Você conhece aquele médico?
Quem?
Aquele que tem um Honda Civic.
Ah, sim conheço.
Um que é casado com aquela senhora que tem uma bolsa da Victor Hugo e um óculos da Vogue.
Sim. Outro dia encontrei com ele na casa daquele corretor que tem uma casa naquele condomínio, o maior da cidade, tem até campo de Golf.
Ah, sim, ele tem um filho que vai a Paris todo ano e tem uma Pajero.
Sim, a minha filha disse que ele é amigo daquele rapaz que é filho de um alto funcionário do Banco Central e joga tênis com aquele rapaz que mora na Vieira Souto.
Voltando ao médico, você sabia que ele voltou de um Safári na África e disse que não pretende viajar tão cedo, pois a bolsa está instável e você sabe...Essa crise na Grécia!
Ah, mas ele não vai vender aquele Barco dele, vai? Maravilhoso!
Não claro que não, ele pretende investir em terras no Mato Grosso, sabe... Negócio de gado.
A mulher dele coleciona perfumes raros, não é?
Sim e frequenta só os melhores restaurantes, saiu até na Caras.
Mas ele é médico de que mesmo?
Não sei. Mas deve ser bom.
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ZÉ
Foi preciso a interferência do padre local que aconselhou Inocêncio a cometer esse pecado ao menos pela preservação da espécie. Enfim, depois de algum tempo, nasceu Zé,um menino feio de doer, esquelético, dentuço e muitos outros defeitos estéticos imperdoáveis ao padrão de beleza do ocidente e talvez do oriente.
Como era de se esperar, não tinha amigos no grupo escolar por causa de sua feiúra (todos querem estar próximos da beleza). Com o tempo, iria conhecer mais e mais a solidão, já que se aproximava da adolescência e os adolescentes não perdoam aos que fogem ao padrão. Em sua grande maioria, os adolescentes são cruéis, as meninas mantinham distância e os meninos o sacaneavam dioturnamente. Zé era tranquilo, não sentia sequer revolta resignando-se com o seu corpo.
Ao se tornar adulto, teve dificuldades até mesmo de conseguir emprego. Conseguiu, vamos dizer... um bico na prefeitura da cidade. Mulheres, nem pensar. O contato que mantinha com o amor era escutando por trás das portas os amores dos outros. Escutava-os e se apropriava das histórias alheias, que lhe serviam de inspiração para as estórias que inventava ao tomar banho no seu chuveiro das imaginações. Aos 30 anos, Zé continuava virgem, pois não admitia para si os amores profissionais das mulheres de aluguel.
Um dia foi chamado a uma recepção na prefeitura onde se fariam presentes o Prefeito e sua cobiçada mulher, cheia de charme e extremamente sexy. Dava pra ver pela cara da jovem mulher que há muito o marido preferia mais os palanques do que alcova. A sua linda face era só tédio. Tudo transcorreu com naturalidade, uma festa normal como muitas outras. Zé foi embora, dormiu cedo, o sono das pessoas que não alimentam qualquer esperança. Ao se levantar foi até a caixa dos correios para ver se tinha alguma conta a pagar, já que nunca recebera carta de ninguém. Quando notou uma linda carta com marcas de batom no papel. Abriu-a ofegante e leu rapidamente, quase não cabia dentro de si.
“Zé, gostaria de poder me encontrar com você em uma casa abandonada junto de um jardim florido no bairro das Pitombeiras. Hoje às 19 horas. Não vai me deixar esperando.”
Quem será, Pensou afoitamente. Quem será? Como soube que eu uso aquela cabana para chorar de vez em quando?
Naquele dia mal aguentou trabalhar, mais desatento do que nunca foi repreendido severamente pelo chefe e quase perdeu o emprego. Ao chegar na hora marcada, ninguém o esperava... mais alguns minutos... ninguém. Quando resolveu ir embora, uma voz surgiu por trás das árvores:
- Vamos Zé, não tenho muito tempo.
- Mas...
- Não fale nada, não tenho muito tempo.
- Mas...
Foi o melhor e o pior dia de sua vida. Saiu caminhando lentamente e desapareceu na floresta assim como fazem os elefantes quando procuram um lugar para se despedirem da vida.
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Indefinitivo
Sou a pedra bruta que precisa ser lapidada.
Sou o rochedo e o diamante.
Sou a areia dourada que esconde o ouro.
Sou a cinza vulcânica que suja o céu
E fertiliza a terra Nada é definitivo.
Tudo foi, é e será.
O Ensino, o Risco e a Segurança e Defesa Civil
O ENSINO, O RISCO E A SEGURANÇA E DEFESA CIVIL
Despreparadas, as autoridades governamentais assumem a postura categórica e “ensaboada”, para fornecer a massa popular com pouca escolaridade e despolitizada, desculpas e justificativas que se desmancham como a terra encharcada pela chuva.
Ouvem-se coisas como: não sabia da gravidade da situação e do risco que a comunidade corria, se soubesse teria evitado a tragédia.
Frases como essas, referem-se ao desdizer que os políticos recorrem, pois a rigor o que eles estão pensando em dizer é: se soubesse que esse risco me atingiria não teria deixado acontecer. Outros dizem que não é hora de procurar culpados, e, tudo bem. Quando encontraremos os culpados?
O rei está nu. Explicar o que? Tapam os olhos quando passam rotineiramente pela cidade repleta de ocupações irregulares em área de risco, com miseráveis, desempregados, desocupados, abandonados em cada rua de cada bairro. Destapam os olhos quando precisam prometer a este povo, agora soterrado e desabrigado, “melhorias e soluções” mágicas para problemas centenários, quando o voto é necessário. Este instrumento – o voto – que seria usado para construir a justiça social e exigir melhoria da qualidade de vida é usado como bumerangue contra esta própria população, que tem como tarefa social, trabalhar em troca de salários miseráveis, que não lhe dá direito nem sequer a habitação segura e transportes eficientes, que são usados principalmente para o trabalho, que enriquece àqueles que lhe explora, já que o deslocamento para lazer é raro, senão nos dias de sol para ir à praia.
Torna-se mais fácil dessa forma, entendermos porque as escolas são usadas apenas para o pós-desastre e não para a prevenção. O uso das escolas como abrigos, necessários na emergência, causa outra tragédia social, que é a suspensão das aulas, onde poderia também ser ensinada a prevenção a desastres e cidadania.
Essas pessoas sofridas e desesperadas, com suas crianças e seus idosos, que realmente não perceberam e não sabiam o tamanho da tragédia anunciada, se espalham desorientadas pelas ruas e pelos abrigos, ao Deus dará, sem nunca terem recebido nenhum ensino ou educação sobre esses desastres recorrentes. Depois, é oferecido como indenização por tudo que perderam inclusive vida de entes queridos, três meses de aluguel social, ao fim do qual “cada um que se vire”, podendo inclusive ocupar áreas de risco, outra vez.
A caridade pública também se apresenta como uma providência divina para os necessitados. Junto aparece o opositor político, que cresce e procura ocupar espaço para desenvolver, historicamente, o mesmo desgoverno.
Nas escolas japonesas, convivendo com desastres periódicos, cada criança é ensinada para se defender de terremotos, enquanto no Brasil, mesmo convivendo com desastres naturais mais freqüentes que os terremotos no Japão, as crianças não sabem nada sobre esses sinistros, que já não são riscos, mas áleas, isto é, riscos que certamente se transformarão em desastres.
Enquanto ambientalistas se reúnem para teorizar sobre a mitigação de desastres, necessário, enfocando e propondo obras e remoções que os políticos não assumem nem realizam, a tragédia humana que não é natural, mas provocada pela omissão dos que vêm quando querem, provoca dores, traumas e desgraças que se perpetuam, por não serem apenas econômicas, já que só se fala em dinheiro e liberação de verbas, mas éticos, morais e sociais. Claro que esses últimos valores não podem ser aplicados em fundos de investimentos, pois não dão dividendos e só servem para o jogo do faz de conta, pois também não são cultivados pela sociedade como preciosidade, apenas como fundamento teórico e porque não dizer religioso.
Desenvolvemos durante estes dois últimos anos, como aluno do Mestrado em Segurança e Defesa Civil da UFF, pesquisa envolvendo situações de risco, ou mais exatamente áleas que estão surgindo na cidade de Itaboraí, com uma intensidade de um furacão, em torno da construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro – COMPERJ, da Petrobrás. Não nos referimos às áleas ambientais, como poluição ou vazamento de óleo, que estão sendo pesquisadas e estudadas por instituições competentes e responsáveis, mas as áleas sociais, que se formam pela migração de pessoas procurando trabalho, provocando a ocupação desordenada da cidade. A administração municipal não tem nenhum preparo, nem recurso, para sustentar essa explosão demográfica anunciada. As autoridades estaduais sabem disso.
Na nossa Dissertação de Mestrado, já que somos professores, defendemos como principal exercício para a mitigação dos riscos, a abertura de cursos de extensão para os professores das escolas da região, inclusive Niterói, sobre o ensino da Segurança e Defesa Civil para criança, adolescente e jovem, visando num processo em longo prazo a construção de uma sociedade melhor preparada para perceber, lidar e enfrentar a vulnerabilidade destes riscos sem sofrer a humilhação da omissão das autoridades na prevenção de desastres.
As crianças japonesas percebem e se protegem dos terremotos, nós precisamos desenvolver na escola a cultura de perceber e se proteger das ameaças de tempestades tropicais e atrair a sociedade e as autoridades para esta ação de cidadania.
Nestes desastres humanos naturais, que geram os desastres humanos sociais, as crianças são as que mais sofrem e os governantes os que mais se omitem.
Josias Reis Soares
Professor da UFF
Especialista em Educação Superior no Brasil - UFF
Mestrando em Segurança e Defesa Civil - UFF
20/04/10
15/04/10
08/04/10
Tudo bem
A- O mar está invadindo a praia.
B- Mas tudo bem.
A- Invadindo os prédios.
B- Tudo bem.
A- As pessoas estão andando que nem sardinha nos ônibus.
B- Tudo bem, eu tenho carro.
A- Cachoeiras de pessoas descem do morro.
B- Tudo Bem.
A- Já viu o preço dos remédios? Está o olho da cara.
B- Tudo bem, eu não estou doente.
A- A violência está aumentando, outro dia fui assaltado.
B- Fala com o delegado, ele é meu camarada.
A- Quando chove lá no bairro da minha empregada, inunda tudo.
B- Tudo Bem, imagina se não tivesse água pra beber?
A- Mas está contaminada.
B- É culpa deles mesmos, que não têm higiene. Quando acabar a enxurrada, o pessoal vai lá, faz um churrasco, faz um torneio de pelada, dá um troféu e fica tudo bem.
A- Mas não têm educação.
B- É tudo vagabundo, não vão às escolas, ficam só no tóxico, é isso que dá.
A- Existem pessoas morando nas ruas.
B- Não saem da rua porque não querem. Pode ver, é tudo pé de cana. Tudo Bem, um dia tudo se acerta. Entra no jogo ou vai ficar de fora. Depois quando precisar de alguma coisa, não reclama.
A- E a corrupção?
B- Se você tivesse lá não faria o mesmo? Fica dando uma de honesto porque nunca molharam a tua mão.
A- Estão querendo levar o nosso dinheiro.
B- Tudo bem, trabalho mais e compenso.
A- E quem não tem trabalho?
B- Se vira.
A- Os hospitais públicos estão uma vergonha.
B- Tudo bem, tenho plano de saúde.
A- Não vai fazer nada?
B- Fazer o quê? O que pode ser feito?
A- Lutar, gritar.
B- Não vai adiantar nada, está tudo bem, vai fazer passeata? Quem vai escutar? Tudo bem.
A- Como você sabe?
B- O que vai adiantar dizer que está tudo errado? Além do mais o cara que manda é amigo do amigo do meu amigo, não vai ficar bem pra mim.
A- Então como é que fica? Lutamos tanto contra a ditadura e agora que podemos falar, vamos ficar calados?
B- Ninguém vai acreditar, vão pensar que está querendo estragar a festa do grande futuro. Ou vão pensar que você é louco, ou é chato, que está querendo aparecer, ou é invejoso, ou, o que é pior, que está na oposição. Estou dizendo pra você, está tudo bem.
É melhor você achar que está tudo bem.
04/04/10
Outros sabores
Quando comecei a estudar música e entrar em suas análises foi como se desvendasse o corpo da musa cobiçada, há tanto tempo endeusada pela minha paixão ignorante, que fazia lindas até mesmo as canções em tônica dominante e subdominante. Comecei a estudar música, olhei para outros músicos e os vi com luvas de médico a tratar a música como a uma paciente. Me deu vontade de ser tão ignorante quanto era para saborear de novo os sabores que antes não conhecia, mas meus ouvidos queriam outros sabores.
30/03/10
7 Haigas de Chris Herrmann
25/03/10
O partido da criação
Vamos cerrar fileiras e montar comitês em todo país.
O nosso partido será o partido da criação.
Estamos aceitando filiações;
o fato de você já pertencer a um outro partido,
não terá problema algum.
Não disputaremos esse poder.
Não faremos discursos sabendo que não iremos cumprir.
Não concorreremos a nenhuma eleição convencional.
Aliás, não disputaremos poder algum.
O poder não é nosso, ele está na criação.
Queremos soluções por via heterodoxa.
Já que a democracia é tão difícil e camuflada,
defenderemos a democracia da criação.
Tudo bem que Darwin falasse que os mais fortes destroem os mais fracos,
mas não teremos seleção natural. Não é saudável destruir o mais fraco.
Pode ser natural, mas não é ético e se não for ético leva a morte e a
morte é o avesso da criação. Só admitiremos as mortes inevitáveis.
O dinheiro será empregado somente em questões que tragam a felicidade.
Os nossos fundos de campanha serão empregados em arte ao ar livre,
projetos que tirem o homem da marginalidade e promovam a inteligência
a serviço do bem.
Antes de qualquer coisa, somos do bem.
Sim, somos utópicos.
Quem for contra, me diga se essa tal modernidade, essa coisa de
aumentar o bolo para depois dividir, essa coisa de melhorar a economia
para depois dar educação, comida e saúde. Também não é uma utopia?
Os que estão ganhando mais vão querer mais até o estômago explodir.
Ninguém vai querer dividir coisa alguma. Não te parece óbvio?
Sempre foi assim, mas não pode continuar assim.
Até mesmo os poderosos têm medo do fim.
Se não for por amor que seja por precaução.
Se não for por altruísmo que seja pelo instinto de sobrevivência.
Não acredito que em sã consciência alguém prefira o apocalipse á criação.
Estamos perdendo tempo e tempo é não é dinheiro.
Por isso não me venham com mentiras.
Vamos ser felizes já. Sem burocracia.
Buscar atalhos no deserto e reservar um tempo no dia a dia para a criação.
Se todos nós cantarmos o tempo todo, a nossa voz será escutada.
Se alguém estiver ocupado com a criação ao menos uma vez por dia,
O nosso canto vai ecoar por todo mundo.
Podem nos chamar de malucos, mas imagina um rico investidor,
fabricante de armas e infelicidade em estado terminal:
Será que seu dinheiro comprará o tempo?
Aonde os bancos vão investir se o mundo virar um pesadelo?
Por isso em verdade vos digo.
Invistam na criação e filie-se já ao nosso partido.
Nós não lhe prometemos lucros faraônicos.
Mas empregaremos todos os nossos esforços na busca da felicidade.
Chega desse modelo que só produz miséria, violência e pessoas tristes.
Olhai os lírios do campo,
Eles não tecem nem fiam,
Mas nem Salomão com toda sua glória se vestiu como eles.
11/03/10
Abaixo os gênios
Numa terra onde só existem “gênios”
faz falta o cheiro de gente comum.
Abaixo os “gênios”
Estamos fartos de “gênios”.
“Gênios” da Ciência.
“Gênios” das artes.
“Gênios” da política, das finanças.
“Gênios” das letras, dos esportes.
Abaixo os “gênios”.
Principalmente porque o individualismo é mortal.
Abaixo os “gênios” porque não podemos separar
o conhecimento em compartimentos.
A grande obra tem que ser coletiva.
Abaixo o “gênio” autoritário, dono da verdade.
Abaixo o “gênio” que resolve parte e se aliena do todo.
O mundo dos “gênios” não faz ninguém feliz.
Sabe porque?
Ele é mediano.
Todos podem ver a luz do sol
Não há nada tão complexo, explicável somente aos eleitos.
Todos podem ter nobres sentimentos.
Ter habilidade não é saber.
A ignorância tem cura.
A flor azul pode nascer em cada jardim.
Todos podem cantar mesmo não sendo cantores.
Todos podem escrever mesmo não sendo poetas.
Todos podem atuar mesmo não sendo atores.
Sempre joguei bola mesmo não sendo Pelé e fiz até algumas boas jogadas.
Abaixo os “gênios”, pois mesmo os verdadeiros gênios não se acham “gênios”.
Somente juntando cada parte resolveremos o quebra-cabeça.
Está tudo interligado.
Cada cabeça tem uma resposta.
Não existe uma única resposta.
Somente desse jeito criaremos um mundo menos temperamental e solitário.
8 de Março - Dia Internacional da Mulher
Não há dúvida que as mulheres hoje em dia estão ocupando espaço em toda a sociedade. Isso faz com que alguns homens se sintam inseguros, o que é um erro. Se fortalecermos as mulheres sairemos fortalecidos. Deus criou o homem e a mulher não para competir, mas para somar , se amarem e gerarem novas vidas, novos homens e mulheres que viverão em um novo mundo, que espero seja mais justo, amoroso e solidário, o que vai ser bom para todos nós, homens e mulheres.
Objetos humanos
23/02/10
14/02/10
Trovinhas
É alguém a se engajar
por onde tudo começa.
Um verbo no linguajar
pode interferir à beça.
Pode interferir à beça
seja um anjo ou sacrepanta.
Não há nada que os impeça
se o canto os males espanta.
Se o canto os males espanta,
a palavra exerce encanto.
Nem sempre um que acalanta,
nem sempre sorriso ou pranto.
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08/02/10
Um novo general
Se os militares têm o direito de governar só porque têm a posse das armas, os bandidos também têm. Se alguém quer governar, que se candidate democraticamente. A democracia é a garantia da cura de todos os males? Como saber se ainda não a conhecemos? Hoje temos um novo general, o poder econômico.
27/01/10
Minotauro
No meio do palavrório,
procuro a frase que me conduza à saída do labirinto.
O labirinto me sinaliza umas poucas palavras.
Poucas palavras não minimizam a poesia.
Abrem portas. Levitam lá fora.
No meio densa, imensa.
A melhor palavra é a que me conduz ao silêncio,
é a que arrebata a poesia antes da busca.
É a que traça um labirinto de mim mesmo.
É a que me indica ser esta a saída,
meio gente, meio tudo.
Meio do caminho.
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21/01/10
5 anos do CAFÉ FILOSÓFICO ´DAS QUATRO´

Há 5 anos lancei a idéia da criação de uma comunidade no Orkut.com onde pudéssemos discutir assuntos diversos, com ênfase em filosofia e cultura, dirigida por 4 amigas. Com o tempo, contamos com o apoio de membros da comunidade para a administração e moderação. Criamos concursos, fizemos diversas entrevistas, lançamos livros impressos, criamos a Homepage da comunidade, o blog Jornal do CF4, editamos vídeos. E nasceram comunidades coligadas, como a Orkultural (ligada à coluna homônima) e a Sociedade dos Pássaros-Poetas. Trovadores Noturnos também se juntou a nós, assim como a Discutindo Literatura, O Ícaro e Borboleta, e outras queridas.
Recentemente, o professor
Hoje, estamos colhendo os frutos de um ambiente propício à liberdade de expressão com respeito às divergências de opinião, como sempre foi a marca da comunidade.
Eu, assim como as outras 3 ´das Quatro´, o corpo de moderadores que nos apóiam e também com a administração, estamos muito satisfeitos com os resultados. Recebemos também um ótimo ´feedback´ dos membros através de e-mails dirigidos à administração da comunidade.
Manifesto aqui meu agradecimento profundo às três amigas Soraya Vieira, Edith
São muitas as pessoas que ajudaram a apurar o sabor do nosso cafezinho de cada dia.
Aproveito a oportunidade para agradecer, também, a:
Denise Moraes, moderadora que contribui massivamente com nossas entrevistas culturais;
Silvia Vitória e
Fabio Vale, que durante um bom tempo ajudou a administrar nossa comunidade;
Todos os entrevistados que já tivemos desde a criação do Café e a todos os membros que participam ativamente contribuindo para o enriquecimento dos debates (seria uma infindável lista de nomes, mas todos eles sabem que são muito queridos por nós).
A todos vocês meu agradecimento especial.
Um grande abraço.
Chris Herrmann
Fundadora do CF4
[o avatar do CF4 foi gentilmente decorado para o aniversário pela Katia Ceregatto, uma ´das quatro´ do Café.]
19/01/10
Três perguntas e uma observação
• Foram tantas desavenças entre judeus, cristãos e mulçumanos que a poeira desses conflitos ainda se espalham pelo ar. Como dizer que o ataque do world trade center nada tem a ver com as cruzadas?
• Como encontrar solução entre judeus e palestinos, se Deus prometeu a mesma terra aos dois povos?
• Como parar com as guerras se uma poderosa indústria da morte se alimenta de todos os conflitos, gera dinheiro e novas tecnologias?
• Não há que se barrar o conhecimento ou transformá-lo em uma caixa de pandora, mas guiá-lo com a mão da ética toda vez que for posto em pratica.
Humanismo
07/01/10
A culpa é de Francis Drake
[artigo publicado no jornal eletrônico ´Rumos do Brasil´]
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04/01/10
Exército do Vento
Vamos lá, exército do vento.
Não abandoneis a utopia,
exército de poetas,
confraria dos loucos,
artistas ou simplesmente sonhadores.
Não abandoneis essa chama
que dizem ser impossível de dar certo.
Não abandoneis essa coisa
que dizem equivaler ao nada.
Acreditem no inacreditável
pois a certeza não existe.
Acreditem na felicidade.
Pois, o que adianta ser bem-sucedido
e carregar nos ombros o fardo da tristeza?
Bando de crianças.
Os fracassados são aqueles
que passaram em branco pela vida,
as mulheres que casaram por interesse
e os homens que venderam sua alma
por um lugar dentro dessa hipócrita sociedade.
Exército do vento,
não acrediteis que o vento sopra apenas de um lado.
Quando o dia amanhece
uma parte da terra fica na escuridão.
Ninguém está livre do infortúnio.
Ninguém é proibido de ser feliz.
Exército do vento,
desfraude o estandarte da utopia
e sejamos hoje mesmo carne e espírito;
sonho e realidade
convivendo dentro do mesmo corpo.
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23/12/09
La Isla Negra
Byafra
19/12/09
Entrevista com o Artista Visual Tchello d´Barros
Chris Herrmann (Dusseldorf/Alemanha) entrevista o poeta e artista visual Tchello d’Barros (Maceió/Brasil) via e-mail. Dezembro 2009.
1) Chris Herrmann: "Nós precisamos da arte para não morrer de verdade." (Nietzsche) Você concorda com esta máxima filosófica? O quão necessária é a Arte para você, além do retorno financeiro?
Tchello d’Barros: Sempre é bom relembrar Nietzsche, até porque muito do que escreveu, continua atual, é como se tratasse de temas de hoje, sobretudo nas questões da arte. Talvez essa sentença dialogue com o pensamento de Artaud, que dizia que “é preciso mergulhar na morte, para começar a viver”, seria preciso ‘morrer’ para o sistema, dedicar-se exclusivamente à sua missão cultural. O fato é que somos seres criativos por natureza, criar está em nossa essência. No entanto, na atual sociedade competitiva e consumista, há que se priorizar tanta coisa, para sobreviver, que muita gente não tem tempo para o lado lúdico da vida, para se dedicar a algum dom, alguma vocação artística. Aquele talento, geralmente revelado na adolescência, fica adormecido, sublimado pelas lides do cotidiano e metas de conquistas profissionais. Na arte, o retorno financeiro é importante, afinal os artistas são pessoas que pagam contas, igual a todo mundo. Mas não é a principal questão, é apenas uma desejável conseqüência. Em meu caso, posso resumir que a arte não é apenas um combustível para seguir adiante, mas uma instância que dá sentido a minha vida.
2) CH: A situação das Artes no Brasil tem mudado para melhor na(s) última(s) década(s)? Ainda há o que melhorar, e o quê?
T. d’B.: As Artes em geral, tem se desenvolvido muito aqui nos ‘tristes trópicos’, especialmente depois que saímos da ditadura. Houve muitos avanços em termos de legislação, direitos, e mesmo qualificação profissional por parte de gestores culturais e na dinâmica das instituições, sem falar da visibilidade que a arte brasileira em geral vem alcançando em âmbito internacional. Ainda assim estamos longe do ‘melhor dos mundos’. Há que se desatar o quiproquó da equivocada e atravancante Lei Rouanet; há que se implantar e consolidar o SNC Sistema Nacional de Cultura, com seus Fundos de Cultura, renúncia fiscal das empresas, e as cidades e estados devem nomear seus Conselhos de Cultura c/ representantes da sociedade civil organizada e não apenas os cupinchas de prefeitos alienados e governadores megalomaníacos. Há que se mudar a mentalidade do empresariado em geral, que precisa entender o quanto sua marca terá uma visibilidade positiva se associada a projetos culturais. E sobretudo, há que se desenvolver uma conscientização por parte da população em geral, de que a Cultura é seu patrimônio, que lhe confere identidade, que é um direito seu, que é justo cobrar políticas públicas de fomento e manutenção das artes em geral. O povo brasileiro é dono de uma das maiores diversidades culturais do planeta, uma riqueza sem paralelo, é até uma questão de se desenvolver a auto-estima desse povo tão híbrido e multifacetado, que já está mostrando ao mundo o potencial de suas manifestações artísticas.
3) CH: Na sua opinião, o que um artista de hoje precisa ter em mente para aumentar suas chances de uma carreira bem-sucedida?
T. d’B.: Bem, já que não existe fórmula para isso, posso apenas comentar o que o senso comum já sabe. Parece que é necessário antes de tudo desejar isso, ter uma vontade ferrenha de que seu trabalho aconteça. Os obstáculos são enormes, é preciso colocar muito, mas muito amor mesmo naquilo que se faz, para que as idéias e sonhos se concretizem, é necessária uma dedicação e disciplina fora do comum para materializar um projeto artístico, é isso que noto nos colegas bem sucedidos. Mas pessoalmente vejo ainda que as coisas vão além disso. É preciso se profissionalizar, permanecer ético em terrenos movediços, saber dizer não, estar conectado c/ os avanços tecnológicos de nosso tempo, dominar ferramentas para se comunicar com seu público. E creio que seja fundamental garantir a qualidade de seu trabalho, seja em qual linguagem artística for, e para além disso ainda, ter algum diferencial, ser original em questões formais ou conceituais. Possivelmente a combinações desses itens, devidamente adequados a cada caso, podem fazer a diferença para alguém que queira deixar sua marca no âmbito cultural.
4) CH: Como você recebe as críticas? Já aconteceu de você fazer alterações em algum trabalho (literário ou não) por conta de uma crítica recebida?
T. d’B.: Antes de responder, não custa mencionar que a palavra ‘crítica’ aqui no Brasil é carregada semanticamente de uma atmosfera desnecessariamente negativa. Há quem diga que a tradução ideal seria ‘análise’, ou ‘exame’ de uma obra. Trata-se na verdade de fazer uma mediação entre a intenção de um autor com as possíveis interpretações por parte do público. Em meu caso particular, confesso que recebo as críticas sempre com curiosidade, pois interessa-me saber o que pessoas inteligentes pensam de minha produção. Naturalmente que observo se tais pessoas têm autoridade, formação e em qual base conceitual fundamentam seus argumentos. E talvez caiba emncionar que, assim como os tradicionais veículos de comunicação reduziram drasticamente o espaço p/ a crítica, na revolução digital cresceu exponencialmente a picaretagem, o favorecimento, as panelinhas, e espaços onde lixo de todo naipe é apresentado como arte e assim as pessoas ficam um tanto receosas quanto aos conteúdos de valor duvidoso. Daí a cada vez mais importante atuação dos críticos, dos que tem sólida formação, para dar legitimidade e qualificar as propostas dos artistas. Sobre minha produção, não modifico trabalhos, independente de como são criticados, mas geralmente percebo aí um termômetro para as coisas que estão dando certo.
5) CH: Literatura, artes visuais e cênicas, moda... enfim, como diz o vídeo em sua homenagem, você é uma ´explosão de arte´! Em qual momento você percebeu que o ´pavio começou a queimar´? Você planejou percorrer por diferentes vertentes artísticas ou elas foram traçando o seu caminho?
T. d’B.: O vídeo Explosão de Arte, no Youtube, mostra algumas das facetas do que andei produzindo nos últimos quinze anos. Admiro artistas que se dedicam à apenas uma modalidade de expressão (cerâmica, trovas, marchinhas, por exemplo), mas este nunca será meu caso, tenho interesses múltiplos e acredito que seguirei assim. Para mim, o ‘pavio começar a queimar’ muito cedo, sempre me imaginei escrevendo e/ou lidando c/ artes visuais. Passei alguns anos no meio teatral, tive curtíssimas passagens por música, dança e vídeo, mas chegou uma hora em que tive que me decidir por atividades que dependem exclusivamente de mim. Optei sim por me exprimir em diversas linguagens, mas as pessoas que escrevem sobre meu tralho tem notado que em tudo há um fio condutor, elementos de aproximação temática, formal ou conceitual. Depois de meia dúzia de livros solo publicados e participações em mais de sessenta exposições, entre individuais e coletivas, creio ter achado um caminho, embora eu intuo que o melhor ainda está por vir. O pavio segue queimando. Nesse percurso, creio ter produzido um currículo razoável e um portfólio honesto. Na próxima década penso em aprofundamento e aprimoramento, num conjunto de ações para consolidar esse trabalho. Quem vir ver, verá.
6) CH: Fale dos ´ismos´. Eles são imprescindíveis ou apenas servem como um ´guia prático do passado das artes´? Se você tivesse que usar um ´ismo´ para definir seu momento artístico atual, qual seria?
T. d’B.: Os ‘ismos’ da arte foram imprescindíveis em seu tempo, pois norteavam o pensamento, as idéias e principalmente as escolas estilísticas de seu tempo, aglutinando alguns dos talentos mais expressivos. Além disso, influenciavam a cultura em outros países e contaminavam, no bom sentido, muito da produção industrial em design, moda, arquitetura e diversos outros segmentos. Muito disso se deu principalmente na esfera das artes visuais, embora o Surrealismo, só pra citar um desses movimentos, teve desdobramentos na literatura, na pintura, no cinema e estimulou o desenvolvimento de áreas como a psicologia e a psicanálise. Hoje a chamada arte contemporânea aglutina incontáveis estilos, técnicas, suportes, conceitos e propostas, onde os tradicionais ‘ismos’ com suas cartilhas e manifestos já não tem mais espaço, temos no máximo os chamados Coletivos de artistas. Mesmo assim, os tais ‘ismos’ permanecem como um rico referencial da História da Arte, onde eventualmente alguns artistas fazem releituras ou atualizações desses movimentos. Recentemente produzi uma série de retratos, no estilo da Pop Art de Andy Warhol, como uma forma de homenagear esse revolucionário e polêmico artista, que ainda influencia muita gente, principalmente na atitude diante da arte. Já meu trabalho, nunca pretendeu se enquadrar em rótulos, em ‘ismos’, escolas, pós-isso ou pós-aquilo, apenas sigo em frente, produzindo. Deixo essa tarefa para futuros pesquisadores, jornalistas especializados, formadores de opinião, ou teóricos acadêmicos, caso meu trabalho mereça alguma atenção nesse sentido.
7) CH: Onde se encontra o poema visual na cena artística brasileira atual? Você já vivenciou algum tipo de barreira, por exemplo, preconceito ou rejeição do que não seja bastante popular e de fácil assimilação?
T. d’B.: O poema visual na cena artística brasileira atual se encontra... bem escondido, eu diria! Isso porque não é uma modalidade de expressão muito conhecida, não tem apelo popular nem alcança as mídias com divulgação de massa, digamos assim. Só muito recentemente é que vem sendo aceito por parcelas bem restritas do meio acadêmico e muito timidamente já aparece aqui e acolá no currículo de ensino de alguns educandários onde a Literatura é levada a sério. Minha humílima contribuição tem sido dar palestras e oficinas sobre o tema, e também tenho uma exposição de poesia visual, que se chama ‘Convergências’, onde apresento uma seleção de meus principais poemas visuais. Por enquanto a mostra já itinerou por meia dúzia de Estados, mas pretende andar um bocado ainda, antes de se transformar num livro. O que percebo é que essas ações pontuais ajudam a divulgar a Poesia Visual. A boa notícia é que a própria Internet tem sido o meio onde novos poetas visuais (semi-novos também!) têm apresentado sua produção, ainda embrionária, mas já permitindo muita troca e intercâmbio. O que me parece é que a Poesia Visual nunca será exatamente popular, mas isso mesmo também a torna especial, rara, quase um segredo entre iniciados, um código entre poetas, um trigo raro na literatura de nosso tempo. Quanto à questão da assimilação, meu trabalho nunca sofreu preconceito ou rejeição, apenas uma vez cancelaram uma exposição já em plena montagem, só porque havia alguns desenhos de mulheres nuas, nada demais. Mas a produção em geral é bem aceita, mesmo as criações mais conceituais, embora evidentemente haja um certo distanciamento entre as camadas de público com menor formação cultural, pois estamos num país ‘em desenvolvimento’, onde as estatísticas apontam que menos de 10 % de nossa população já entrou num museu ou galeria de arte.
8) CH: A concisão sempre o acompanhou? Muitos de seus poemas mínimos dão a impressão de que histórias máximas (reais) sobre o autor estão sendo sutilmente reveladas. É isto mesmo?
T. d’B.: Por razões que a (minha) própria razão desconhece, sempre produzi obras em que a concisão, o rigor, o emprego de recursos mínimos, dessem conta de comunicar a proposta daquele trabalho, seja nos poemínimos, nos ideogramas ocidentais, nos labirintogramas e por aí vai. Nada contra obras que trafegam em outras vertentes, mas para mim, determinados excessos, tagarelices, verborragias e barroquismos apenas não são minha praia, simples assim. Já vivo num país exuberante, com um povo exuberante, plural, onde tudo é superdimensionado e no superlativo. Meus trabalhos nunca pretenderam negar essa realidade, mas gosto de escrever poemas breves, contos curtos, crônicas precisas. Um desenho, uma gravura, ou uma de minhas pinturas comunicam com poucas cores ou poucos elementos visuais. Não que seja uma regra rígida, mas um tipo de ecomomia conceitual. No fundo persigo uma coisa difícil de se fazer na arte, o simples fato de se comunicar com clareza. O desafio está em fazer isso com poucos recursos, com poucas informações, sejam plásticas ou semânticas. E não trato de temas biográficos, pessoais, qualquer vocábulo “eu” que apareça em meus escritos será sempre um narrador fictício. Mas há quem não acredite muito nisso...
9) CH: Conte sua trajetória com o haicai e o que essa experiência o acrescentou como artista e pessoa.
T. d’B.: Meu contato com o haicai e suas variações começou lá por 1.993, quando comecei a publicar meus primeiros poemas e expor meus primeiros quadros, ainda na germânica cidade catarinense de Blumenau, onde eu vivia nessa época. Lia haicaístas locais, de outros lugares e também de outras épocas, mas apenas pelo prazer de ler e conhecer cada vez mais dessa poesia de origem nipônica. Até que comecei a escrever também, quase sem querer, de brincadeirinha... Mas essa coisa pega a gente por dentro e na primeira noite escrevi logo uns 50, depois fui vendo que não é só técnica, há que se pesquisar com seriedade e praticar muito também. Como quase tudo, é a prática aliada ao estudo que leva ao aprimoramento, à evolução. Na virada do milênio, publiquei o livro Olho Zen, minha coletânea de haicais. Nessa modalidade literária sou adepto do haicai tradicional, com kigô falando da natureza, métrica tradicional etc, embora aprecie muito ler os adeptos do haicai urbano, tropical, erótico e até os mais experimentais. Atualmente tenho escrito haicais em guardanapos, sem assinar, e deixo sempre sobre alguma mesa... Acredito que nenhum poeta sai incólume após passar pela experiência do haicai. É um aprendizado que permanece e amplia nossa visão de mundo, nosso jeito de estar nesse mundo, sobretudo diante da transitoriedade da vida e da inexorabilidade do tempo. Talvez por isso o haicai é muitas vezes associado à uma fotografia, constituída de palavras, mas que congela o tempo, ou registra um ato, um fato, presenciado pelo autor. Em meu caso, até meu trabalho em fotografia foi influenciado. Não fotografo como um fotógrafo convencional, mas como um haicaísta... Sou também autor de um haicai visual, o Haicai Para Os Sem-terra, onde se vê três fios de arame farpado, com 17 farpas, claro...
10) CH: Kerouac e Leminski foram duas grandes revelações do haikai ocidental. Sem dúvidas que eles estimularam o gosto de novos poetas por este tipo de poesia tradicional japonesa. Quais os ´haijins´ brasileiros de hoje que você recomendaria a leitura?
T. d’B.: Não há dúvidas de que Jack Kerouac e Paulo Leminski foram pessoas que captaram o ‘zeitgeist’ de seu tempo e lugar, o espírito de sua época, influenciaram muita gente e continuam fazendo escola. O haicai, enquanto novidade, já foi considerado um mero poema exótico, no entanto, na atualidade é inegável sua difusão cada vez maior, especialmente no ocidente. No Brasil, terra de todos e dos japoneses também, foi inevitável sua introdução, expansão e até mesmo as polêmicas inovações de estilo. Hoje, crescem nas universidades os TCCs, monografias e teses sobre essa arte onde Bashô segue sendo uma figura emblemática. Em nosso país, o que não faltam são haicaístas de qualidade. Recomendar é um exagero que não ouso, mas cito alguns que já me deram prazer na leitura e muito ensinamento, como Helena Kolodi, Masuda Goga, Teruko Oda, Alice Ruiz, Leila Miccolis, Nempuku Sato, Paulo Franchetti é também uma referência, e ainda o extraordinário haicaísta catarinense Martinho Bruning (em memória), com mais de 10 livros publicados, mas injustamente esquecido. Dos haijins brazucas recentes é impossível citar tanta gente, menciono apenas os que tem me surpreendido mais recentemente, como Benedita Azevedo, Chris Herrmann e os epifânicos haicais de Jiddu Saldanha. Mas prestem atenção nas dedicadas Isnelda Weise e Margit Didjurgeit, que em breve estarão lançando seus livros de haicais.
11) CH: Sartre defendia a tese de que a liberdade dá ao homem o poder de escolha, mas está sujeita às limitações do próprio homem. No caso da internet, como conviver com a ´avalanche artística´ onde a qualidade duvidosa e o plágio disfarçado (ou não) também são empurrados ao público como obra artística genuína? Há o que fazer?
T. d’B.: Eu não sou livre para fazer o quero fazer, apenas para o que posso fazer e ainda devo escolher entre o que é necessário fazer. Sartre era um sujeito que sabia das coisas, e escrevia com propriedade sobre o existencialismo, embora muitos ainda hoje considerem uma sandice ele recusar o prêmio Nobel. Nessa questão aí da liberdade, parece nos lembrar do quanto somos limitados, e que toda liberdade é relativa. Não sei se O Ser e o Nada, sua principal obra, faria tanto sentido nesse mundo meio caótico do novo milênio, mas é inegável que essa questão da liberdade traz uma série de prós e contras, principalmente se o assunto for a qualidade do que é considerado arte e é despejada diariamente na internet, sem crivo, sem crítica, sem critério, sem crime, sem nada. Cada um posta o que quiser e sempre haverá a turminha que aplaude. Quando o conteúdo é bom, os plágios acontecem, é outra praga nefanda. Mas o artista profissional é aquele que registra sua obra antes de publicar por aí, assim resguarda seus direitos autorais. O que fazer com tudo isso? Ser seletivo. Sobre o que ler/ver/ouvir. E para quem é artista, ser seletivo onde publicar. Na internet, o menos é mais, e sendo assim, pode ser muito mais.
12) CH: Você tem um público bem definido para cada tipo de manifestação artística ou se surpreende com frequência? Há algum caso curioso que queira contar ocorrido em alguma de suas exposições?
T. d’B.: Existem sim os públicos específicos, é até natural isso, mas as categorias e modalidades de expressão em que participo, vão meio que somando esses públicos. Já aconteceu de pessoas que curtem meu trabalho em gravura começarem a ler meus haicais. Ou o pessoal que lê minha prosa começar a curtir meu trabalho experimental em fotografia. Frequentemente ocorrem relatos assim, entram pela via do cordel, logo se deparam com a produção em desenho... Já a turma da moda é mais eclética, meio que gostam de tudo... Quanto às exposições, nunca aconteceu nada de tão extraordinário, até porque gosto das coisas muito bem organizadas, mas na década passada eu sempre dava um jeito de colocar atores para realizar alguma performance, geralmente com meus poemas, antes ou depois da abertura. Numa dessas, colocamos um ator nu todo coberto de lama, recitando poemas. Noutra um ator foi todo pintado de tinta metálica e ficou o tempo todo na posição de O Pensador, de Rodin, e muitos pensaram que era uma escultura. Outra vez, um ator entrou pela janela da exposição, como um invasão, dizendo poemas a plenos pulmões. Certa vez uma atriz dizia poemas meus enquanto jogava pétalas de rosas no público. Eu mesmo, nos tempos de teatro, participei de diversas performances e intervenções, essas ações enriquecem um evento cultural, dão um ar de happening e geram interatividade entre diversas linguagens artísticas. Isso nos dá a deixa para concluir dizendo que apesar dos meios digitais de divulgação de uma produção artística, seguirei fazendo exposições físicas, e lançamentos de meus livros, pois acima de tudo, essas ações culturais promovem a coisa mais difícil nesses tempos cibernéticos: a antiga e insubstituível arte do encontro entre as pessoas.
13) CH: Como você vê a situação hoje, no Brasil principalmente, de se publicar livros impressos? Quais os prós e os contras?
T. d’B.: Vejo a situação com muito otimismo. Tenho frequentado bienais e eventos literários de porte e o que noto é um desenvolvimento do setor, começando pelas estatísticas que apontam que o brasileiro está lendo cada vez mais. Naturalmente que estamos longe da média de leitura de países desenvolvidos, mas é um fato que o povo aqui quer ler mais e publicar mais. Outro item é o desenvolvimento do que se chama de parque gráfico nacional, hoje algumas das melhores gráficas do planeta estão aqui, atendendo editores de todo o mundo. E o papel já é certificado com selo de origem ambiental. Pode ser que não se deva comprar um livro pela capa, como se diz, mas os brasileiros produzem os livros mais bonitos, em termos de capa, projeto gráfico e matéria prima. Aqui, um livro é também um objeto estético. Mesmo agora com a invenção do Kindle (livro eletrônico) nosso fetiche por livros só vai crescer. Há também todo um esforço de políticas públicas no sentido de multiplicar bibliotecas, tornar o livro mais acessível, e fomentar a produção por parte de autores brasileiros. A Câmara do Livro e Leitura, coordenada pela Biblioteca Nacional é uma dessas ações. O Proler tem se consolidado. E, pululam pelas cidades do interior as chamadas academias municipais de letras, que estão aí imortalizando um monte de gente... A nota dissonante talvez seja a facilidade em se publicar um livro por aqui, basta chegar numa gráfica com uma graninha no bolso, e plim!... vira escritor da noite para o dia. Sem conselho editorial, sem estudo, sem critério, sem qualidade, muita gente apenas movida pela vaidade, publica seu livrinho para impressionar os amigos, os parentes e algum colunista social. Chique, né! Fora isso, viva a literatura brasileira contemporânea!
14) CH: O que é o belo para você?
T. d’B.: O fator beleza na arte sempre foi definido por um conjunto de conceitos complementares, como a harmonia visual, o equilíbrio cromático, composição da cena, aplicação da perspectiva e ponto-de-fuga, domínio do claro-escuro, perícia da representação da anatomia, abordagem do tema, etc. Até o início das vanguardas históricas do Séc. XX havia uma pergunta tácita que se poderia fazer diante de uma pintura: _Isto é belo? De certa forma a beleza é o que se poderia procurar em uma pintura, gravura, escultura, desenho, ou seja, nas formas tradicionais de expressão plástica. Com o advento das vanguardas, dos já citados ‘ismos’ e de toda a revolução de comportamentos que o século passado presenciou, é natural que as artes visuais não apenas se desenvolvessem, evoluíssem, mas que mudasse também a postura do observador diante de uma obra. A própria beleza passou a ser relativizada e em muitos casos o que se busca hoje em uma obra é uma emoção estética e até mesmo uma reflexão filosófica. A pergunta hoje seria: _ Isto é Arte? Esses estados de espírito podem ser encontrados, por exemplo, em obras cuja proposta seja de forte teor de protesto, um trabalho que, sem ser panfletário, seja altamente engajado. O trabalho em si não é “bonito”, mas desperta sentimentos de crítica ao assunto tratado e atitudes de mudança da realidade. Ou consideremos uma obra que desperte questionamentos quanto ao status quo vigente. Ou obras apresentadas em recursos tecnológicos sofisticados, mas conferindo forte significação em termos de identidade regional. Na contemporaneidade, talvez o belo seja apenas aquele tipo de objeto estético que enfeita paredes da burguesia alienada, combinando com a decoração. Mas arte mesmo, é aquela que transforma nossa visão do mundo, nossa relação com o homem e o modo como encaramos a vida. Evoé!






