O ENSINO, O RISCO E A SEGURANÇA E DEFESA CIVIL
O povo brasileiro, nós, muito acostumados à ficção, novelas, filmes americanos, etc., nos tornamos patéticos quando a realidade “cai do céu” à nossa frente.
Despreparadas, as autoridades governamentais assumem a postura categórica e “ensaboada”, para fornecer a massa popular com pouca escolaridade e despolitizada, desculpas e justificativas que se desmancham como a terra encharcada pela chuva.
Ouvem-se coisas como: não sabia da gravidade da situação e do risco que a comunidade corria, se soubesse teria evitado a tragédia.
Frases como essas, referem-se ao desdizer que os políticos recorrem, pois a rigor o que eles estão pensando em dizer é: se soubesse que esse risco me atingiria não teria deixado acontecer. Outros dizem que não é hora de procurar culpados, e, tudo bem. Quando encontraremos os culpados?
O rei está nu. Explicar o que? Tapam os olhos quando passam rotineiramente pela cidade repleta de ocupações irregulares em área de risco, com miseráveis, desempregados, desocupados, abandonados em cada rua de cada bairro. Destapam os olhos quando precisam prometer a este povo, agora soterrado e desabrigado, “melhorias e soluções” mágicas para problemas centenários, quando o voto é necessário. Este instrumento – o voto – que seria usado para construir a justiça social e exigir melhoria da qualidade de vida é usado como bumerangue contra esta própria população, que tem como tarefa social, trabalhar em troca de salários miseráveis, que não lhe dá direito nem sequer a habitação segura e transportes eficientes, que são usados principalmente para o trabalho, que enriquece àqueles que lhe explora, já que o deslocamento para lazer é raro, senão nos dias de sol para ir à praia.
Torna-se mais fácil dessa forma, entendermos porque as escolas são usadas apenas para o pós-desastre e não para a prevenção. O uso das escolas como abrigos, necessários na emergência, causa outra tragédia social, que é a suspensão das aulas, onde poderia também ser ensinada a prevenção a desastres e cidadania.
Essas pessoas sofridas e desesperadas, com suas crianças e seus idosos, que realmente não perceberam e não sabiam o tamanho da tragédia anunciada, se espalham desorientadas pelas ruas e pelos abrigos, ao Deus dará, sem nunca terem recebido nenhum ensino ou educação sobre esses desastres recorrentes. Depois, é oferecido como indenização por tudo que perderam inclusive vida de entes queridos, três meses de aluguel social, ao fim do qual “cada um que se vire”, podendo inclusive ocupar áreas de risco, outra vez.
A caridade pública também se apresenta como uma providência divina para os necessitados. Junto aparece o opositor político, que cresce e procura ocupar espaço para desenvolver, historicamente, o mesmo desgoverno.
Nas escolas japonesas, convivendo com desastres periódicos, cada criança é ensinada para se defender de terremotos, enquanto no Brasil, mesmo convivendo com desastres naturais mais freqüentes que os terremotos no Japão, as crianças não sabem nada sobre esses sinistros, que já não são riscos, mas áleas, isto é, riscos que certamente se transformarão em desastres.
Enquanto ambientalistas se reúnem para teorizar sobre a mitigação de desastres, necessário, enfocando e propondo obras e remoções que os políticos não assumem nem realizam, a tragédia humana que não é natural, mas provocada pela omissão dos que vêm quando querem, provoca dores, traumas e desgraças que se perpetuam, por não serem apenas econômicas, já que só se fala em dinheiro e liberação de verbas, mas éticos, morais e sociais. Claro que esses últimos valores não podem ser aplicados em fundos de investimentos, pois não dão dividendos e só servem para o jogo do faz de conta, pois também não são cultivados pela sociedade como preciosidade, apenas como fundamento teórico e porque não dizer religioso.
Desenvolvemos durante estes dois últimos anos, como aluno do Mestrado em Segurança e Defesa Civil da UFF, pesquisa envolvendo situações de risco, ou mais exatamente áleas que estão surgindo na cidade de Itaboraí, com uma intensidade de um furacão, em torno da construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro – COMPERJ, da Petrobrás. Não nos referimos às áleas ambientais, como poluição ou vazamento de óleo, que estão sendo pesquisadas e estudadas por instituições competentes e responsáveis, mas as áleas sociais, que se formam pela migração de pessoas procurando trabalho, provocando a ocupação desordenada da cidade. A administração municipal não tem nenhum preparo, nem recurso, para sustentar essa explosão demográfica anunciada. As autoridades estaduais sabem disso.
Na nossa Dissertação de Mestrado, já que somos professores, defendemos como principal exercício para a mitigação dos riscos, a abertura de cursos de extensão para os professores das escolas da região, inclusive Niterói, sobre o ensino da Segurança e Defesa Civil para criança, adolescente e jovem, visando num processo em longo prazo a construção de uma sociedade melhor preparada para perceber, lidar e enfrentar a vulnerabilidade destes riscos sem sofrer a humilhação da omissão das autoridades na prevenção de desastres.
As crianças japonesas percebem e se protegem dos terremotos, nós precisamos desenvolver na escola a cultura de perceber e se proteger das ameaças de tempestades tropicais e atrair a sociedade e as autoridades para esta ação de cidadania.
Nestes desastres humanos naturais, que geram os desastres humanos sociais, as crianças são as que mais sofrem e os governantes os que mais se omitem.
Despreparadas, as autoridades governamentais assumem a postura categórica e “ensaboada”, para fornecer a massa popular com pouca escolaridade e despolitizada, desculpas e justificativas que se desmancham como a terra encharcada pela chuva.
Ouvem-se coisas como: não sabia da gravidade da situação e do risco que a comunidade corria, se soubesse teria evitado a tragédia.
Frases como essas, referem-se ao desdizer que os políticos recorrem, pois a rigor o que eles estão pensando em dizer é: se soubesse que esse risco me atingiria não teria deixado acontecer. Outros dizem que não é hora de procurar culpados, e, tudo bem. Quando encontraremos os culpados?
O rei está nu. Explicar o que? Tapam os olhos quando passam rotineiramente pela cidade repleta de ocupações irregulares em área de risco, com miseráveis, desempregados, desocupados, abandonados em cada rua de cada bairro. Destapam os olhos quando precisam prometer a este povo, agora soterrado e desabrigado, “melhorias e soluções” mágicas para problemas centenários, quando o voto é necessário. Este instrumento – o voto – que seria usado para construir a justiça social e exigir melhoria da qualidade de vida é usado como bumerangue contra esta própria população, que tem como tarefa social, trabalhar em troca de salários miseráveis, que não lhe dá direito nem sequer a habitação segura e transportes eficientes, que são usados principalmente para o trabalho, que enriquece àqueles que lhe explora, já que o deslocamento para lazer é raro, senão nos dias de sol para ir à praia.
Torna-se mais fácil dessa forma, entendermos porque as escolas são usadas apenas para o pós-desastre e não para a prevenção. O uso das escolas como abrigos, necessários na emergência, causa outra tragédia social, que é a suspensão das aulas, onde poderia também ser ensinada a prevenção a desastres e cidadania.
Essas pessoas sofridas e desesperadas, com suas crianças e seus idosos, que realmente não perceberam e não sabiam o tamanho da tragédia anunciada, se espalham desorientadas pelas ruas e pelos abrigos, ao Deus dará, sem nunca terem recebido nenhum ensino ou educação sobre esses desastres recorrentes. Depois, é oferecido como indenização por tudo que perderam inclusive vida de entes queridos, três meses de aluguel social, ao fim do qual “cada um que se vire”, podendo inclusive ocupar áreas de risco, outra vez.
A caridade pública também se apresenta como uma providência divina para os necessitados. Junto aparece o opositor político, que cresce e procura ocupar espaço para desenvolver, historicamente, o mesmo desgoverno.
Nas escolas japonesas, convivendo com desastres periódicos, cada criança é ensinada para se defender de terremotos, enquanto no Brasil, mesmo convivendo com desastres naturais mais freqüentes que os terremotos no Japão, as crianças não sabem nada sobre esses sinistros, que já não são riscos, mas áleas, isto é, riscos que certamente se transformarão em desastres.
Enquanto ambientalistas se reúnem para teorizar sobre a mitigação de desastres, necessário, enfocando e propondo obras e remoções que os políticos não assumem nem realizam, a tragédia humana que não é natural, mas provocada pela omissão dos que vêm quando querem, provoca dores, traumas e desgraças que se perpetuam, por não serem apenas econômicas, já que só se fala em dinheiro e liberação de verbas, mas éticos, morais e sociais. Claro que esses últimos valores não podem ser aplicados em fundos de investimentos, pois não dão dividendos e só servem para o jogo do faz de conta, pois também não são cultivados pela sociedade como preciosidade, apenas como fundamento teórico e porque não dizer religioso.
Desenvolvemos durante estes dois últimos anos, como aluno do Mestrado em Segurança e Defesa Civil da UFF, pesquisa envolvendo situações de risco, ou mais exatamente áleas que estão surgindo na cidade de Itaboraí, com uma intensidade de um furacão, em torno da construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro – COMPERJ, da Petrobrás. Não nos referimos às áleas ambientais, como poluição ou vazamento de óleo, que estão sendo pesquisadas e estudadas por instituições competentes e responsáveis, mas as áleas sociais, que se formam pela migração de pessoas procurando trabalho, provocando a ocupação desordenada da cidade. A administração municipal não tem nenhum preparo, nem recurso, para sustentar essa explosão demográfica anunciada. As autoridades estaduais sabem disso.
Na nossa Dissertação de Mestrado, já que somos professores, defendemos como principal exercício para a mitigação dos riscos, a abertura de cursos de extensão para os professores das escolas da região, inclusive Niterói, sobre o ensino da Segurança e Defesa Civil para criança, adolescente e jovem, visando num processo em longo prazo a construção de uma sociedade melhor preparada para perceber, lidar e enfrentar a vulnerabilidade destes riscos sem sofrer a humilhação da omissão das autoridades na prevenção de desastres.
As crianças japonesas percebem e se protegem dos terremotos, nós precisamos desenvolver na escola a cultura de perceber e se proteger das ameaças de tempestades tropicais e atrair a sociedade e as autoridades para esta ação de cidadania.
Nestes desastres humanos naturais, que geram os desastres humanos sociais, as crianças são as que mais sofrem e os governantes os que mais se omitem.
Josias Reis Soares
Professor da UFF
Especialista em Educação Superior no Brasil - UFF
Mestrando em Segurança e Defesa Civil - UFF

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